Sobre as oficinas 

Cada oficina teve duração de 6 dias, com carga horária de 24 horas. A ordem e progresso das atividades variavam em cada comunidade, se adaptando ao contexto e realidade de cada povoado/demanda local. O projeto se apropriou de práticas pedagógicas tendo como referência outros importantes trabalhos envolvendo fotografia e arte-educação, a partir de nomes que agradecemos e registramos: Miguel Chikaoka (Pará), Ana Rosa Vilar (Paraíba); e os educadores fundadores da ONG Gema: Mateus Sá, Vládia Lima e Eduardo Queiroga.




Explorando o Olhar

Vários exercícios foram integrados para explorar e estimular o olhar dos participantes, assim como a potencialização da experiência multi-sensorial que envolve o ato fotográfico: sentir, escutar, cheirar, tocar, olhar, fechar os olhos...  Um divertido passeio com os olhos vendados ajudou os alunos a perceberem como a olho é apenas um dos sentidos que influencia nosso olhar, sendo a visão colaborada por uma série de outras noções advinda de outros sentidos. Um outro exercício realizado foi a “escuta das águas”, atividade esta de percepção sensorial onde os participantes captavam ruídos e sonoridades do rio com olhos vendados, sentindo o espaço corpóreo da água através do som. O trabalho de amadurecimento das percepções e referências foi enriquecido ainda com o estudo de importantes fotografias de autoria de renomados artistas internacionais que trabalharam o tema da água e da sustentabilidade, aguçando ainda mais a ideia de estabelecer uma comunicação e expressão de sentimento através da imagem. O grupo também assistiu ao filme 'Janela da Alma', de Walter Salles e João Jardim. Confira as fotos de alguns exercícios!

Aprendendo sobre a formação da imagem

Este tópico contou com 3 atividades.  No primeiro dia da oficina os alunos construíram 'caixas mágicas' (câmeras obscuras artesanais feitas com papelão) dentro dos quais eles podiam ver a imagem se formando num papel vegetal. Depois do exercício “escuta das aguas” (ver explorando o olhar) para elucidar a idéia de registro, impressão e fixação de imagem em papel, fizemos um exercício de pintar com revelador um papel fotográfico previamente exposto à luz. O resultado consiste em, a medida que o químico do fixador é passado no papel, o líquido vai revelando, pintando de preto (exposição) cada traço dado. Os participantes pintaram no papel imagens que entraram nas suas cabeças enquanto vendados na atividade de “escuta". Outro lúdico exercício para entender sobre como a luz viaja em linha reta foi feito a partir de lúdicos recorte que simulava olhos feito com papel e pedaços de barbante (ver fotos abaixo). Esses exercícios ajudaram a entender o processo histórico e científico que deu origem a fotografia.


Explorando o papel do Rio São Francisco

Em vários momentos foram promovidas discussões sobre o Rio São Francisco. Uma das atividades foi dividir os participantes em sub-grupos para desenhar mapas da comunidade, pensando o papel do Rio no passado, no presente e no futuro. A ideia foi traçar um resgate histórico, ao mesmo que delinear um mapeamento da geografia e dos desejos vindouros.

Outra atividade contou com leitura e reflexão sobre o texto da Declaração Universal dos Direitos e Deveres para com uso da água no mundo, pensando a partir de aspectos locais e globais. O grupo analisou e discutiu fotografias tirados por fotógrafos querendo chamar atenção sobre a situação do uso e manejo da água.  No final do processo, os participantes fizeram um ensaio fotográfico coletivo sobre o Rio, potencializando uma abordagem sensível ao aspectos culturais, políticos, históricos e sociais envolvendo o imaginário do Rio e a capacidade da imagem engendrar e desafiar a representação social identitária das comunidades ribeirinhas.



Construindo câmeras com caixas de fósforo

Pinlux é uma técnica que consiste em fabricar câmeras artesanais a partir de caixas de fósforo. A técnica possibilita construir uma câmera fotográfica a partir de materiais simples do cotidiano.  Durante a oficina, a construção da câmera é feita de uma forma muito lúdica, integrando dinâmicas de grupo e discussões reflexivas sobre a imagem. A metodologia é participativa e estimula capacidades singulares dentro do coletivo. Através da construção da câmera temos a oportunidade de explorar os conhecimentos, memórias e desejos sobre o Rio São Francisco,  assim como registrar os olhares diversos dos participantes.


Tecendo uma rede de comunicação visual poética

Parte do objetivo geral do projeto é articular uma rede de comunicação visual poética tendo a água como centro das reflexões. Isso foi instrumentalizado através da confecção de cartões postais pelos participantes, a partir do resultado fotográfico. Assim, as imagens viraram cartões postais, onde cada qual escolheu uma imagem para enviar para um participante de outra comunidade, numa troca imagética e textual. Confira os postais aqui!



About the Workshops

Each workshop lasted 6 days, with four hours of activities each day, in addition to the outdoor cinema in the evenings. The following activities and exercises comprised the content of the workshop. The order and progression of the activities varied in each of the communities, responding to the reality and context of each place. The project made use of exercises that have been developed by important names in the area of education and photography in Brazil, and we thank in particular: Miguel Chikaoka (Pará), Ana Rosa Vilar (Paraíba); the founding members of Gema: Mateus Sá, Vládia Lima e Eduardo Queiroga.

Exploring our vision

Several exercises were employed to stimulate the imagination and world visions of the participants, in order to get everyone to reflect on how all of our senses, knowledge and experiences influence the construction of our world view and how we interpret and capture images of the world around us. This involved several exercises with the participants blindfolded, to aid them in seeing the world through their other senses. We also discussed images by photographers from aroung the world who have photographed the theme 'Water'. We also watched the filme 'Janela da Alma' by Walter Salles and João Jardim.

Learning about how the image is formed

To learn about the way images are formed we conducted three exercises. On the first day of the workshop the students built 'magic boxes' (camera obscuras) through which you can see images of the world projected onto pieces of tracing paper on the inner side of the 'camera'. The images appear upside down and left to right, just as the eye registers images before our brains convert them the 'right' way up. 

On the second day, in order to understand how photographic images are fixed on paper, the participants painted on photographic paper with developer. The participants were asked to paint images that had come into their minds whilst they were on a blindfolded guided tour of the river, exploring the riverside through touch, hearing and smell. 

Another exercise we used was to assist people in understanding the relationship between the fact that light travels in straight lines and the inverted images that they see inside the 'magic boxes.'



Exploring the role of the São Francisco River

In order to stimulate discussions and reflections about the São Francisco river the participants were divided into small groups and asked to draw maps representing the relationship that the community has with the river and how water is used. One group maped the river thirty years ago, another mapped the river in present day and the third group mapped what the relationship and reality of the river /community could be like in thirty years time. We also analyzed photographs on the theme 'water',  allowing us to discuss the communicative power of photography and the diversity of ideas, questions and denouncements that exist in relation to the use of the worlds water resources. We also collectively read the International Declaration on the Right to Water, and discussed it in relation to the local reality. At the end of the workshop participants developed a collective photographic essay on the river, registering their ideas about the river with cameras made out of matchboxes. 




Building Cameras out of matchboxes

Pinlux is a technique of making homemade cameras out of matchboxes. During the workshop, the camera is constructed in a way that is fun and dynamic, using simple everyday materials and integrating group exercises and reflective discussions about the photographic image. Whilst building the camera the participants have an opportunity to explore their knowledge, memories and desires in relation to the São Francisco river.



 

Building a visual poetic communication network

Part of the general objective of the project is to articulate a poestic visual communication network that places water at the centre of its reflections. This objective was instrumentalized through making handmade postcards. The participants choose a photo that they themselves had taken and that represents how they feel about the river. On the reverse side of the postcard they wrote their messages. The postcard was then sent to a participant of the project in another area. You can see the results of the postcards here.